Às vezes perguntam-me: “Victor, o que é para ti o 25 de Abril?” E eu respondo: “É uma mulher nua que entra pelo quarto a gritar, Victor, acorda, está a haver uma revolução!”
Tinha eu então 23 anos e estudava na Escola Superior de Teatro. Por isso, vivia em Lisboa. Dormia eu descansado nos braços da então bem-amada quando alguém entra no meu quarto aos berros:
“Victor, acorda, está a haver uma revolução! Vamos para a rua!”. Era muito cedo, quase de madrugada para os nossos hábitos normais. Foi uma pressa a vestir; lavar a cara penso que nem nos lembrámos disso. Peguei na máquina fotográfica e saímos, amontoados na minha Dyane. E partimos à procura da tão esperada Revolução…
De Benfica direto ao centro de Lisboa, por Monsanto, à procura da Revolução. Na Praça de Espanha, os primeiros sinais, afinal era mesmo verdade…
Entre gritos, cravos, tiros, soldados, gente, sobretudo gente, disparei a minha Nikkormat EL sempre que a situação o permitia.

